A 39.ª Cimeira da União Africana (UA) encerrou neste domingo (15.02.2026) em Adis Abeba, Etiópia, com uma mensagem firme dos chefes de Estado e de governo: "tolerância zero" para mudanças inconstitucionais de governo no continente.
O presidente da Comissão da UA, Mahmoud Ali Youssouf, destacou que a posição foi "claramente assumida" pela Assembleia, referindo-se, entre outros, ao caso da Guiné-Bissau, que permanece suspensa da organização desde o golpe de estado militar de novembro de 2025. A necessidade de restaurar a ordem institucional no país foi reiteradamente mencionada durante os dois dias de trabalhos.
O novo presidente rotativo da UA, Évariste Ndayishimiye, chefe de Estado do Burundi, que sucedeu a Angola, prometeu focar o seu mandato na paz, estabilidade e desenvolvimento industrial. Em conferência de imprensa, Ndayishimiye sublinhou o objectivo de "silenciar as armas" e abordou conflitos específicos:
República Democrática do Congo (RDC): Alertou para a necessidade de cumprir o acordo de cessar-fogo já assinado, exigindo que as forças estrangeiras (numa clara referência ao Ruanda, apoiante do M23) regressem aos seus países e que nenhuma das partes retome os combates. Sahel: Classificou a situação na região como "complexa" devido à propagação do terrorismo a outros países, apelando à atenção e ajuda da organização.
Para além da segurança, a cimeira lançou o tema central da UA para 2026: “Assegurar a disponibilidade sustentável de água e sistemas de saneamento seguros para alcançar os objectivos da Agenda 2063".
O Presidente cessante, João Lourenço, de Angola, defendeu investimentos significativos no sector de água e saneamento para garantir o "acesso universal e equitativo" aos serviços, num contexto em que mais de 400 milhões de africanos não têm acesso a água potável básica e mais de 700 milhões carecem de saneamento seguro.
Participaram na cimeira cerca de 40 líderes africanos, além do secretário-geral da ONU, António Guterres, e dos primeiros-ministros de Itália, Giorgia Meloni, e da Autoridade Nacional Palestiniana, Mohammad Mustafa. Os trabalhos decorreram sob a sombra de múltiplos conflitos, como os que afectam o Sudão e a RDC.
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